Aline
Por Alda D'Araújo em Crisálida



Cada mulher traz a maternidade dentro de si; há poucas exceções. Mesmo aquelas que não tem a maternidade como parte de seus planos: quer seja por opção, por impossibilidade física ou circunstancial.

Este sentimento já se manifesta na infância. O brinquedo preferido da menina geralmente é uma boneca; se aprende a dar comida e banho, mudar de roupa, pentear o cabelo, levar pra passear, colocar para dormir, mostrando que o cuidado e o carinho maternal já estão sendo manifestados.

Todavia não é raro vermos bonecas com pernas arrancadas, cabelos cortados ou pintados, a cara toda riscada de caneta: experiências macabras... pobres bonecas. A menina também se vê na boneca: daí o tremendo sucesso das Barbies & Companheiras... Há uma identificaçãos com aqueles cabelos longos e sedosos, o rostinho perfeito, os olhos luminosos, e o guarda roupa variado. Ao mesmo tempo que o brinquedo alimenta o instinto materno e até desenvolve a auto-imagem, também desperta curiosidade e manifesta um senso de domínio, possessão e controle.

Depois de um tempo a boneca querida está largada a um canto, toda riscada, sem cabelo, sem braços e pernas. Esta mutilaçãoao instrumento de fantasia mostra que a menina não esta preparada para ser mãe, nem tampouco competir com a boneca. Por isto, logo deixa a "filhinha" e sai em busca da mamãe.

Por que tratar deste tema, se já é tão debatido, tão universal e, aparentemente tão resolvido? Justamente porque o verdadeiro conceito de ser mãe vai além do fator biológico, e por isto mesmo pode gerar crise.





Mãe é Mãe!

O que é ser mãe? A maternidade não se resume em fatos, mas em conceito que envolve sentimentos profundos e conquanto seja basicamente feminino, dá também ao homem a possibilidade de experimentá-los. Dentro de cada um de nós existe uma mãe que se comp~e a partir da experiência da mãe natural com outras figuras maternas existentes em nossa vida.

Deus é pai, ma também mãe. Ele é pai porque encarna a figura do Pai; é mãe porque manifesta o sentimento materno. Sem querer esbarrar em quesõe teológicas, podemos encarar a figura de "Nossa Senhora" para a Igreja Católica como uma projeçãos religiosa da necessidade de se criar uma "mãe para Deus", que fosse também a mãe de todos nós, refletindo a carência existencial da figura materna juntamente com a ausência de uma visão da possibilidade de maternidade em Deus.

Mãe é mãe, não quando dá a luz. mas quando encarna e expressa o sentimento materno.

Estava assistindo um programa na televisão com adolescentes que queriam engravidar. Meninas de 13 a 15 anos indo para a cama com quem aparecesse, sem nenhuma preocupação de praticar sexo seguro, por causa da obcessão de se tornarem mães. Fiquei pensando: o que leva uma menina de 13 anos a buscar uma arriscada gravidez, que pode atrapalhar para sempre a sua vida? Conquanto algumas desejem apenas chamar a atenção, oq ue podemos perceber é que elas não desejem ardentemente um filho, mas sim o resgate do sentimento maternal, que pode ter-lhes sido negado ou inibido por fatores diversos.

[Texto extraído de Alda D'Araújo, em "Crisálida"]

Esta reflexão continua:

Segunda parte: "A crise da Mãe sem Filhos"

Terceira parte: "A crise da mãe Jovem e da Mãe culpada"

Veja mais em: | edit post
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